
Nutrição Cirurgica
A preparação nutricional pré e pós-operatória é, provavelmente, o fator mais subvalorizado no resultado de uma cirurgia estética. Do ponto de vista fisiológico, qualquer procedimento, seja lipoaspiração, mamoplastia ou cirurgia facial, desencadeia um processo altamente regulado de inflamação aguda, remodelação tecidular e síntese de colagénio. A velocidade e a eficiência com que estas fases decorrem depende diretamente do estado nutricional do paciente.
A insuficiência proteica é um dos principais determinantes de complicações: compromete a neocolagénese, reduz a força tensional da cicatriz, prolonga o edema e aumenta o risco de fibrose. A deficiência de magnésio (frequentemente não detetável em análises, porque 99% é intracelular) amplifica dor, rigidez e fadiga, interferindo na contração muscular e no metabolismo energético. A vitamina C e o zinco, ambos cofatores essenciais na síntese de colagénio e reparação celular, influenciam diretamente a qualidade da matriz extracelular, enquanto a vitamina D modula a resposta imunitária e o risco de infeção, muito prevalente em níveis subótimos.
O edema pós-operatório, frequentemente interpretado como inevitável, é profundamente influenciado pelo equilíbrio de eletrólitos, pelo estado inflamatório basal e pela permeabilidade vascular, fatores que respondem de forma previsível à ingestão de sal, ómega-3, antioxidantes e à hidratação adequada. Da mesma forma, a hiperglicemia provocada pelo consumo de açúcares simples potencia a glicação do colagénio, resultando em cicatrizes mais rígidas, maior fibrose e irregularidades de contorno — complicações particularmente relevantes em lipoescultura e abdominoplastia.
Entre as complicações mais comuns que um suporte nutricional competente ajuda a mitigar estão: seroma, edema persistente, hematomas prolongados, infeção, cicatrização lenta, deiscência, fibrose, hiperpigmentação pós-laser e perda de massa magra. Todas elas estão, de uma forma ou de outra, ligadas a défices nutricionais corrigíveis. O líquido intersticial acumulado (seroma) e a abertura da incisão (deiscência) podem ambas acontecer por défice dos mesmos micronutrientes envolvidos na integridade vascular: vitamina C e zinco.
A nutrição funcional aplicada à cirurgia estética não é um complemento: é uma intervenção terapêutica com impacto mensurável na inflamação, no tempo de recuperação e na qualidade estética final. Quando o organismo recebe os substratos necessários, proteína suficiente, micronutrientes-chave, antioxidantes, hidratação e regulação metabólica, a probabilidade de complicações diminui e o resultado cirúrgico aproxima-se do ideal previsto pela técnica do cirurgião.

